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Tróia Poker Tour II

No segundo dia em Tróia tivemos direito a programação especial de almoço :) Depois de muito nos recomendarem um almoço na Comporta, nada como pegar no carro e ir até lá. Dámos por nós na Praia da Comporta, num restaurante bar chamado Comporta Café. Um sítio muito giro, com uma esplanada em frente ao mar, uma decoração acolhedora, acompanhados por um sol estupendo. Um gato simpático passeava aos nossos pés. Era eu e o gato a deliciarmo-nos com aquele solzinho maravilhoso de Janeiro.

O almoço estava óptimo, e para digestivo, além de um licor oferta da casa, tivemos uma surpresa. Não é nada normal ver-se golfinhos daquele lado do mar, disse-nos o dono do restaurante, mas, para espanto de todos, lá estava um grupo de golfinhos a brincar nas ondas e a passar mesmo junto à costa. Claro que todos ficamos maravilhados com aquele espectáculo. É o que se chama sermos recebidos em Tróia como deve ser!

É claro que só podia estar a adorar, o que, diga-se, nota-se neste vídeo :)

Voltando ao jogo, começou o torneio high roller 6 máx. Começamos com 50.000 fichas e entraram 24 jogadores de luxo. Com um field “daqueles” não podia esperar uma mesa fácil… Portanto, à minha esquerda o Phounder, o Socioanonimo, Pedro Maia e o Paulo Sarmento. Mais tarde, entraram para a mesa o Sr. Jorge Carvalho e o Luís Cepa, e posteriormente, Ion Chelban.
Sabia que o jogo ía ser complicado, com bastante luta preflop, como um torneio 6 máx naquele field supõe. Preparei-me mentalmente para isso, e ía decidida a dar luta. Abordei o jogo de uma forma agressiva, defendi blinds e lutei bastante preflop, tentando cometer os menos erros possíveis. Tinha os ranges bem definidos na minha cabeça. Notei que apesar de bastante luta preflop, no postflop os potes não estavam a escalar muito, contra mim os ranges de value eram bastante curtos. Tentei habituar-me a este jogo. Raramente entrei nos potes em call, e aproveitei a iniciativa bastante bem, muitas vezes obrigando-os a foldar melhor. A grande maioria das fichas no primeiro dia foram conseguidas sem showdown, e muitas delas preflop.

Passei ao dia 2 com 95175 fichas e a minha mesa passou a ser à minha esquerda Diogo Borges, Leguito, Juca e o Diogo Cardoso, mais tarde, Isabel Carvalho.
Nesta mesa, tive duas mãos mais interessantes com o Diogo Borges. O socioanonimo estava a abrir muito, e eu fiz 3bet na SB, pela segunda vez em jogadas consecutivas, o que gerou algum chat na mesa. Estavamos nas blinds 800/1600. A minha 3bet é para 7200 e o Diogo Borges aposta 14300. Eu tenho TT. A decisão aqui não é fácil… Ele tem cerca de 100k fichas e é a stack efectiva. Se faço 5bet tem que ser para jogar para a stack. Call sem posição não é nada bom, mas fold também não me agradou. Sei que estou a representar forte ao fazer call. Sei também que fazer call em setmining é mau visto que mesmo quando caia o meu T não o vou stackar as vezes suficientes para que seja rentável, mas o que pensei na altura, foi que associando o valor do setmining ou valor de estar a representar muito forte e poder ter showdown relativamente barato se ele de facto não estiver fortíssimo, o call poderia ser a melhor alternativa. E foi o que fiz. O flop vem 8d2s5s e ele aposta 13,5k. Fiz call ao primeiro barril. No turn ele faz allin de 60,9k fichas. Ora, na altura o que pensei aqui é que ele não joga QQ e JJ assim, e estou a perder para AA e KK. No entanto, depois do meu call preflop e do meu call no flop, não saindo nenhma scary card que ele pudesse aproveitar se por acaso estivesse em bluff, acho que estou mesmo a perder para AA e KK e, claro, faço fold.

Umas mãos a seguir, abro no BTN para 4,5k, o Leguito, na BB, faz 11,8k e eu faço 4bet para 26k e o Leguito vai allin. Faço call com o meu AK contra o AcJc dele e faço double up.

Posteriormente perco a primeira corridinha da semana contra o Poças. Abro no BTN para 5k, ele enconta 50,9k e eu faço call com AJ contra os 22′s dele. Bate o meu A no flop mas ele acaba por fazer flush com o 2 de copas. Fico com menos 56k…nextttt

Depois tenho a outra jogada interessante contra o Segrob. Ele abre o pote no CO para 5k, o Poças dá call no BTN e eu faço squeeze para 16,5k e o Segrob dá call. Ele tem cerca de 115k na stack. O flop vem 6d4cTs. Ora bem, eu aqui optei por uma “jogada alternativa” com os meus JJ :b O normal seria ele pensar que com os meus JJ+ eu apostaria neste flop. Se o fizesse, espero call dele com um range também não muito grande… por isso, optei por tentar extrair valor de outras mãos que ele possa ter e enveredei por uma jogada que poderia ter sido meio desastrosa… :s mas acabou por não ser! Depois do meu check, ele aposta 10,5k e eu faço call. Neste ponto, estou com a minha mão muito pouco exposta, e acho que ele tanto me pode estar a colocar 88, 99, TT como talvez num AK que não quis foldar naquele flop ou AA e KK jogados de uma forma meia estranha (QQ e JJ acho difícil). O turn é um 9d e ele dispara 23,5k. Contra o Segrob e tendo o meus JJ muito mal representados, tendo induzido apostas por parte dele, não estou disposta a foldar. O que penso neste momento é qual será a melhor forma de conseguir mais valor de mãos piores que a minha. Acho que se fizer call, dificilmente ele vai mandar um 3.º barril no river com mãos piores do que a minha. Portanto optei por shipar no Turn, na esperança de que ele ainda me pudesse fazer call colocando-me num flushdraw de ouros. De resto, acho que, de facto, a linha que estou a seguir é de muita força, mas também acho que o é se fizer call… Basicamente preferi shippar o Turn porque achei que a conseguir extrair mais algum valor de mãos piores nesta jogada, deveria ser desta forma, caso ele começasse a pensar que não tinha sentido. Por outro lado, se levar call de mãos melhores, são mãos que também me apostariam o river e que eu estava disposta a pagar de qualquer forma.

A última jogada do dia que me colocou mais problemas foi um A9 na BB, já na mesa final, contra o Arise. Ele abriu todas as SB’s e defendia-se muito bem a 3bet, por isso optei por jogar o A9 na BB contra o raise dele na SB em call. O flop trouxe 9c5c3s e ele faz cbet e eu faço call. o Turn é um 5h e ele volta a apostar 25,8k. Esta 5 não devia ser uma carta muito boa para ele voltar a apostar em bluff, contudo, tendo em conta o range enormíssimo dele na Sb não foldo TPTK. No river ele volta a apostar 48k e aqui penso bastante, mas acabo por fazer call quando penso na minha mão e no range dele… contudo, ele tinha o queijinho, KK, e perco a mão. Na altura, achei que deveria ter foldado, mas com quanto mais gente falo, mais me dizem que o call é bom, e que ainda tivesse sido melhor fazer 3bet ou raise fflop, jogando para a stack… ora, acabei por me convencer que até saiu baratinho :b

Mais umas mãozitas e tive mais uma corrida que, esta sim, foi mesmo determinante. Estávamos na bubble, o Arise faz raise para 12k no cutoff e eu estou no BTN com AQ e raiso para 26.500, ele encosta 200.500 e eu faço call. É ele que está em perigo de ser eliminado e tem TT. Uma corrida para eliminar a bubble e para me destacar enormemente na chiplead do torneio… mais uma vez, perdi… Na mão seguinte, o Diogo (Cardoso) é bubble, e passamos ao dia 3, com os 4 jogadores ITM e eu com umas inglórias 77k fichas.

No dia 3, a mesa final começa com uma corrida AK contra QQ do Tomé Moreira contra o Sr. Amadeu Lima Carvalho, para assistirmos ào double up do segundo e, assim, me escapar uma etapa acima nos prémios. :b

A coisa não estava fácil e eu com cerca de 16 bbs, depois de ter estado allin algumas vezes. Já tinha deixado escapar algumas SB para o Tomé na minha BB, porque o joguinho estava mesmo mau. Desta vez recebo Q4ss, e faço raise na SB e recebo call do Tomé na BB. Acho que este raise, nestas situações, é muito opcional.. quer dizer, opcional muito para o lado de devia estar quieta… mas aquele pote e a minha stack chamaram por mim :) O flop trouxe AcQh5h. Tinha aqui duas opções: ou jogava em check raise allin ou apostava e já não gosto nada de foldar a ship. Contudo, optei na altura por apostar e o Tomé faz allin. O que pensei foi que não era provável ele ter o Ás visto que achava que ele teria feito allin preflop. Tenho 2nd pair, estou short, um pote enorme para a minha stack, e uma grande possibilidade de me defrontar contra um draw. Opto por dar call e vejo o KThh para flushdraw e uma overcard. O flush bateu no river e estava fora do torneio…

Ufaa, para amanha fica o deepstack que isto já vai muito longo!

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Catarina Santos
Catarina Santos
Country: Cape Verde
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